Diário da Borborema

Campina Grande, Sexta-Feira, 04 de Julho de 2008

Agnaldo Almeida


A política na Paraíba é um poço de contradições

A campanha eleitoral deste ano, espalhada em todos os municípios paraibanos, tem um só objetivo: preparar os partidos políticos para o confronto de 2010. Não se engane o leitor, tudo o que estiver sendo decidido agora tem como endereço certo a sucessão estadual, que ocorrerá daqui a dois anos.

A política é um poço de contradições. Na Paraíba, é mais do que isto: é um abismo em termos de coerência. Até poucos dias, o prefeito Ricardo Coutinho e o senador José Maranhão pareciam compor uma aliança de forte densidade eleitoral para as eleições municipais em João Pessoa.

Em Bayeux, o prefeito Jota Júnior e o ex-prefeito e, depois, ex-vereador Expedito Pereira eram carne e unha. Juntaram-se na campanha de 2004 para derrotar a prefeita Sara Cabral. Pois bem, agora, Expedito é o grande, para não dizer o maior, adversário do prefeito Jota. E a sua aliada, no projeto de reeleição, deverá ser justamente a ex-prefeita da cidade, Sara Cabral - a mesma que o PMDB tanto criticou. Na seara do PSDB, as incoerências não são menores. Partidos que apóiam o governo do Estado, que tem comando tucano, também se manifestaram favoráveis ao projeto de reeleição do prefeito da Capital. Alguns parecem estar voltando, mas nesse caminho de ida e volta fica sempre a impressão de que o valor maior é mesmo o da incoerência: hora se está de um lado, hora de outro.

Em Campina Grande, os bastidores da política revelam que as movimentações são também intensas. O atual vice-prefeito José Luiz, que pleiteia a recondução ao cargo, já disse que estava se sentindo "torturado" em função das especulações sobre a sua retirada do páreo. Insinuou-se até mesmo que o prefeito Veneziano Vital do Rego estaria por trás dessas negociações políticas que visavam atrair o PP de Enivaldo Ribeiro para a chapa majoritária. Com o afastamento, é claro, de José Luiz.

Esse é o quadro que se pinta em todos os municípios. Inimigos de ontem viram, da noite pro dia, amigos daqui pra frente. Há cidades em que o PT se coliga com o PFL, hoje chamado DEM; há também situações eleitorais que juntam legendas auto-intituladas de esquerda (como o PC do B e do PT) com as que não se incomodam de ser rotuladas de extrema direita (como o PP, o PR e outras parecidas).
Seria este um problema político-ideológico exclusivo da Paraíba? Claro que não. Se o próprio Lula, candidato-ícone de todas as transformações que o Brasil esperava, convive tão bem hoje com as lideranças mais retrógradas da política nacional, o que se haveria de estranhar num Estado, politicamente insignificante como a Paraíba?

QUEM É QUEM NA SUCESSÃO DA CAPITAL

Em poucas linhas, vejamos agora como têm atuado na política da Capital as suas mais importantes lideranças:

Cássio Cunha Lima - É o governador do Estado, integra os quadros do PSDB, mas nunca conviveu estreitamente com as lideranças paulistas do partido. Tem uma trajetória política vitoriosa: foi deputado-constituinte, prefeito de Campina Grande por mais de uma vez e hoje exerce o mandato de governador do Estado pela segunda vez. Tem liderança indiscutível em Campina.

José Maranhão - Ex-governador, por dois períodos, exerce atualmente o mandato de senador e, simultaneamente, a liderança do PMDB no Estado. É um líder político, mas de difícil convivência, segundo atestam os seus interlocutores de outras legendas.
Cícero Lucena - Ex-prefeito, senador, tem liderança eleitoral em João Pessoa, mas foi fortemente atingido por denúncias de irregularidades que teriam sido cometidas na sua gestão. Foi preso por algumas horas, mas até agora nada ficou provado contra ele. Apesar dos pesares, é a mais forte liderança contra o prefeito Ricardo Coutinho. Muita gente gostaria de ver um confronto eleitoral entre ele e o atual prefeito.

Ricardo Coutinho - Queiram ou não os seus adversários, é um nome em ascensão. Seu mandato na Prefeitura da Capital tem sido bem avaliado, suas chances de se reeleger são muito boas, mas não custa lembrar que política é política, ou seja, que tudo pode acontecer de uma hora pra outra. Inclusive nada. O seu nome é pule de dez para a próxima sucessão governamental. A impressão que ele passa é a de que está tentando construir na Paraíba uma terceira vida política. Com ele na cabeça, é claro. E o projeto, pelo visto, vai de vento em popa.

João Gonçalves - Várias vezes eleito vereador da cidade, representando sobretudo o bairro de Cruz da Armas, João também é, assim como Ricardo, um político em ascensão. Em dimensões menores, é verdade, mas sempre alcançando melhores votações. Hoje é deputado estadual, tem intimidade com a periferia pessoense e tem garra. Se lhe derem condições, vai com a campanha até o fim. Se não houver surpresa na convenção, será o principal concorrente do atual prefeito nas eleições de outubro.

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