Diário da Borborema

Campina Grande, Sexta-Feira, 04 de Julho de 2008

Esportes


50 anos de uma glória

Hoje, a seleção brasileira completa o cinqüentenário do primeiro título conquistado na Copa do Mundo. Na final, Brasil ganhou de 5 a 2

Jamilton Soares
jamilton@db.com.br

Há exatos 50 anos, justamente em um 29 de junho de 1958, o Brasil se fazia conhecer no cenário esportivo mundial. A vitória sobre a Suécia, na final da Copa do Mundo, em sua sexta edição, pelo placar de 5 a 2, mostrava para o mundo do esporte a verdadeira expressão do futebol arte, até então, não conhecido em terras internacionais. Mesmo o próprio técnico sueco, George Raynor, comentou ao final do jogo que a seleção brasileira era tão boa que ele por pouco não torceu por este adversário.

Como palco para o espetáculo, o Estádio Rasunda, em Estocolmo, capital da Suécia, completamente lotado, situação que não impediu os presentes de aplaudirem e até mesmo torcerem pelos brasileiros, quando perceberam que não havia grandes possibilidades dos seus compatriotas tirarem a taça de campeão do time canarinho.

Mesmo assim, o selecionado sueco estava entusiasmado pela campanha que a seleção, assim como o Brasil, também com as cores amarela e azul de forma predominante, desempenhava. Até o confronto perante os brasileiros, a Suécia havia vencido quatro jogos e empatado um confronto. As vitórias aconteceram contra o México (3 a 0), Hungria (2 a 1), União Soviética (2 a 0) e Alemanha Ocidental (3 a 1). Já o empate havia ocorrido perante o pais de Gales (0 a 0).

Paralelo a esses resultados, o time brasileiro também realizava uma campanha que o deixava com amplas possibilidades na bolsa de apostas local. Na oportunidade, a cotação da seleção estava em um para dois. Com um esquema de jogo inovador para a ocasião, o treinador nacional, Vicente Feola (in memorian) surpreendeu os adversários, implantando o sistema 4-3-3.

Nesse contexto, um atleta em especial tinha um papel de fundamental importância. Mário Jorge Lobo Zagallo, ponta esquerda do Flamengo (RJ), que desenvolvia uma função diferente na seleção. Contra os suecos, ele foi o autor do quarto gol, aniquilando as possibilidades de uma reação adversária.

Devido ao bom vigor físico que apresentava, aliado a velocidade com a bola nos pés, fato comum já nos primórdios do futebol, Zagallo, único homem a participar ativamente dos quatro primeiros títulos da seleção brasileira em Copas do Mundo, retornava ao meio campo quando o adversário tinha a posse de bola.

Tal situação fazia do selecionado canarinho uma equipe com um bom poder de marcação. Talvez isso fez com que o elenco brasileiro terminasse a Copa da Suécia com a melhor defesa, ao lado de país de Gales, tendo sofrido apenas quatro gols. Os únicos tentos levados aconteceram justamente nas semifinais, perante a França (5 a 2) e contra a Suécia, na decisão.

Na final, o selecionado nacional foi formado pelo goleiro Gilmar, os laterais Djalma Santos (direito) e Nilton Santos (esquerdo), mais os zagueiros Bellini (capitão) e Orlando. No meio campo, apenas dois jogadores, Zito e Didi, situação comum até os fins da década de 60. Já o ataque, pela direita, Garrincha fazia o que queria com os marcadores, assim como Pelé, pelo meio, tendo o auxílio de Vavá e Zagallo, este na ponta esquerda.

Já a Suécia, do técnico George Raynor, formou com Svensson, Bergmark e Axbom. No meio campo estiveram Borjesson, Gustavsson e Parling. Já o ataque foi formado por Hamrin, Gren, Simonsson, Liedholm e Skoglund.

Para comandar a partida, um juiz de larga experiência na época foi convocado. O francês Maurice Guingone ficou com a responsabilidade. Para o seu auxílio, o alemão Albert Dush e o espanhol Juan Gardeazabal, formaram assim o trio.

Apesar da Suécia querer se vingar da derrota sofrida na Copa do Mundo do Brasil, em 1950, quando perdeu por 7 a 1, em jogo contra os brasileiros, a habilidade de Pelé, com a mobilidade de Zagallo, mais a técnica de Garrincha, aliada a capacidade de finalização de Vavá impediram as pretensões dos donos da casa.

Não se pode esquecer da liderança que Didi e Zito colocavam no meio campo brasileiro, como também da experiência que atletas como Djalma Santos e Nilton Santos contribuíam para o esquema adotado. Além disso, o goleiro Gilmar salvou o time quando se fez necessário. Este, ao lado de Orlando e Bellini também davam consistência ao setor.

Vitória deu ao Brasil prestígio mundial

Após a conquista da Taça Jules Himet, homenagem dada ao idealizador da Copa do Mundo, que teve sua primeira edição no Uruguai (1930), o selecionado brasileiro foi recebido com festa em solo brasileiro. Antes de chegar a Recife, primeira escala no Brasil, até o desembarque na cidade do Rio de Janeiro (antiga Guanabara), os atletas nacionais fizeram um pouso em Londres, na Inglaterra.
Em todos os citados lugares, a população local saudou os novos campeões. Até mesmo em Estocolmo, mais de 500 pessoas foram acompanhar o desembarque da seleção brasileira. A imprensa local enfatizava que nunca havia visto uma equipe de fora se portar tão bem em terras internacionais.

Segundo Luiz Mendes, ex-narrador esportivo, atualmente, comentarista da Rádio Globo do Rio de Janeiro, que na época esteve na Suécia, fazendo a cobertura da Copa do Mundo, a conquista em 1958 não apenas trouxe orgulho para a nação brasileira. "Antes da copa, muitos nos perguntavam se Buenos Aires era a capital do Brasil, onde ficava o Brasil?. Situações como essa, eram comuns no meio internacional. Depois da Taça Jules Rimet, isso não voltou mais a acontecer", ressaltou ele, em relatos da época. Bellini, capitão da equipe campeã, imortalizou o ato de erguer a taça com as mãos, após uma conquista. Tal situação aconteceu por acaso, pois como era grande o número de jornalistas no gramado, ao término do jogo contra os suecos, foi pedido que ele se postasse daquela maneira, para que as fotos fossem tiradas.

 

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Equipe de forte marcação com poder de ataque

Na campanha brasileira, uma vitória na estréia contra a Áustria, pelo marcador de 3 a 0, gols de Mazzola (2) e Nilton Santos, trouxe ainda mais confiança ao grupo heterogêneo, composto por jovens valores que despontavam no mercado brasileiro e atletas já consagrados como o meio campista Didi e o lateral-esquerdo Nilton Santos, ambos do Botafogo (RJ). Na seqüência, o empate em 0 a 0 perante a sempre forte seleção inglesa não atrapalhou os planos da delegação.

No fim da fase de grupos, veio a jogada, imposta pelo treinador brasileiro, que surpreenderia de vez os oponentes. Para o confronto contra a antiga União Soviética, Pelé e Garrincha, até então reservas, entrariam na equipe para não sair mais. Esta partida terminou com o placar de 2 a 0, com dois gols de Vavá para o Brasil, situação que classificou o time nacional em primeiro lugar.

Antes desse jogo, Vicente Feola fez uso de práticas não muito comuns na época. Precisando vencer, para garantir a liderança do grupo, o técnico antecipou o treino, antes marcado para a tarde, acontecendo assim no período da manhã.

Desta forma, a imprensa não pôde estar presente à prática esportiva, situação que não permitiu aos soviéticos saberem que Pelé e Garrincha, até então desconhecidos, entrariam em campo.

Pelas quartas-de-final, mais uma vez os atletas brasileiros tinham pela frente a retranca, já comum em times do Reino Unido. Talvez por isso o marcador de 1 a 0 foi suficiente para levá-los ao confronto contra os franceses, do artilheiro da copa, Just Fontaine (13 gols). Contra Pais de Gales, coube ao jovem Pelé, que por pouco não foi cortado da seleção, antes do embarque para a Suécia, ser o autor do gol. Este deu um "chapéu" em seu marcador, batendo de primeira, no canto direito do goleiro Jack Kelsey.

Contra a França, os adversários tiveram a má sorte de perder o seu goleador, que havia empatado o marcador, aos nove minutos. Fontaine deixou o gramado com a perna quebrada. Quis o destino que Vavá (in memorian), causador do infortúnio nesse atleta, fosse um dos melhores em campo, marcando um dos gols. Os outros tentos foram assinalados por Pelé (3) e Didi. Piatonini também fez para os franceses.

Na final, apesar de sair atrás do marcador, a maior mobilidade do ataque brasileiro, composto por Garrincha, Vavá, Pelé e Zagallo, foi decisiva. Vavá fez dois gols, terminando a copa com quatro tentos. Pelé, coroando com "chave de ouro" sua participação no primeiro mundial, assinalou mais duas vezes (seis no total), cabendo a Zagallo o tento final. Liedhom e Simonsson descontaram para a Suécia.

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Fla desafia o Sport

Duelo de rubro-negros

Flamengo quer uma vitória para aumentar a distância na liderança do Campeonato Brasileiro

Recife (PE) - Em um duelo rubro-negro, o Flamengo vai a Recife neste domingo para enfrentar o Sport, às 16h (de Brasília), na Ilha do Retiro, em jogo válido pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro. A equipe carioca iniciou o final de semana na ponta da competi£o com 16 pontos. Já o time pernambucano, campeão da Copa do Brasil, perdeu seus últimos dois jogos e soma apenas oito pontos.

Ao contrário do que aconteceu nos últimos anos, quando passou a primeira parte do Brasileiro freqüentando a parte de baixo da tabela, desta vez o Flamengo come§ou com o pé direito e vem vivendo um clima de maior tranqüilidade nas primeiras rodadas.

- É muito gostoso ficar na liderança, acordar na frente. O trabalho é mais alegre, falam do Flamengo como o primeiro colocado. Ao passado tivemos dificuldades fora, mas agora tem sido diferente. Precisamos manter a atenção para não cairmos com uma derrota. vamos tentar ficar na frente por muito tempo - salientou o volante Cristian.

E o Flamengo entrará em campo sem o atacante Souza. Contra o Ipatinga, o jogador recebeu o terceiro cartão amarelo e terá que cumprir suspensão. Desta maneira, Obina ganha chance ao lado de Marcinho

- Já joguei com o Marcinho algumas vezes entrando no segundo tempo. Vou ficar mais na área para a bola chegar e eu poder ter chances de fazer os gols. Faz tempo que não começo jogando, mas estou preparado para tudo - afirmou o xodó da torcida flamenguista.

Além de Obina, o Flamengo também terá outra novidade. Depois de treinar bem e ser elogiado pelo técnico Caio Junior pelo segundo tempo do jogo contra o Ipatinga, o meia Renato Augusto barrou Diego Tardelli e inicia a partida.

O jogo poderá marcar a despedida do meia Ibson, cujo empréstimo com o Flamengo se encerra na segunda-feira. Para reverter este quadro, o vice-presidente de futebol, Kleber Leite, já está m Portugal onde irá se reunir com os dirigentes do Porto, provavelmente também na segunda.

- Estou ansioso, mas tento deixar isso de lado. Estou apenas focado em ajudar o Flamengo a vencer o Sport e manter a boa campanha neste Brasileiro - comentou Ibson, que voltou ao Flamengo no meio do ano passado.

No Sport, apesar do título na Copa do Brasil, o clima não é de total tranqüilidade. Após a derrota para o São Paulo, segundo resultado negativo consecutivo no Brasileiro, o presidente do clube, Milton Bivar, foi a público cobrar uma recupera£o da equipe dentro da competição.

- Precisamos voltar ao ritmo da competiçãoo. As festas da Copa do Brasil acabaram, temos que voltar a jogar. Na minha opinião, o Flamengo é candidato ao título junto com o Sport. Será uma excelente chance de retomarmos o caminho das vitórias - afirmou o dirigente.

Para conseguir a reabilitação, o Sport terá mudanças para este domingo. Sem o meia Luciano Henrique, que cumprir suspensão, o técnico Nelsinho Batista promoveu a entrada de Francisco Alex. Já o volante Everton acabou ganhando a vaga de Sandro Goiano, por opção do treinador. Como o time deverá abrir m£o do esquema com três zagueiros, Carlinhos Bala atuar mais recuado, com Roger entrando no ataque para atuar ao lado de Enaillton.

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São Paulo quer acabar hoje com o ímpeto do cruzeiro

São Paulo - O técnico do São Paulo, Muricy Ramalho, declarou que a equipe paulista pretende se aproveitar do ímpeto do Cruzeiro em atacar para surpreender o rival no Mineirão. São Paulo e Cruzeiro se enfrentam no domingo pela oitava rodada do Campeonato Brasileiro. "É uma coisa natural a equipe que vive um grande momento, apoiada pela torcida, ataque. Aí sobram alguns espaços que devemos explorar. Em jogos assim os espaços aparecem mais. Por isso temos que ter uma defesa muita sólida para agüentar a pressão e sair em velocidade", disse Muricy.

O time mineiro está na terceira colocação da tabela com 16 pontos - mesmo número de Flamengo e Grêmio, que pelos critérios de desempate ocupam as primeiras posições. O São Paulo é o sexto, com 12, e luta para se aproximar do topo.

"Nosso time é experiente e gosta de jogos assim. Quando eles menos esperam, a gente pode definir o jogo. Temos experiência e qualidade para isso", falou o meio-campista Hugo.

O zagueiro André Dias se recuperou de dores na coxa e deverá ser escalado entre os titulares no domingo. "O campo lá [o Mineirão] é grande, e por isso temos que saber aproveitar os contra-ataques, porque com certeza eles tentarão a vitória", afirmou o zagueiro.

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Fluminense e botafogo em clássico no Maracanã

Rio de Janeiro (RJ) - Com um mau início de Campeonato Brasileiro Fluminense e Botafogo se enfrentam neste domingo, às 18h20min(de Brasília), no Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ), buscando a reabilitação na oitava rodada, já que sofreram derrotas no fim de semana passado.

O Alvinegro, que soma sete pontos, caiu por 1 a 0 para a Portuguesa em pleno Engenhão, e quer se distanciar da zona de rebaixamento. O Tricolor vive situação mais delicada, pois tem dois pontos e segue segurando a lanterna. No sábado passado foi derrotado por 2 a 1 pelo Coritiba e mesmo assim mandará a campo um time misto neste clássico já que a prioridade é o confronto de quarta-feira contra a Liga Deportiva Universitária (LDU), do Equador, pela decisão da Copa Libertadores. Se depender do histórico das duas equipes na temporada o Botafogo j¡ pode comemorar, pois ganhou os três encontros com o Tricolor em 2008, todos pelo Campeonato Carioca. Triunfo por 2 a 0 nas semifinais da Taça Guanabara, primeiro turno, 1 a 0 na final da Taça Rio, segundo turno, além de um 3 a 1 na fase de classificação.

Renato Gaúcho, técnico do Fluminense, não perdeu a oportunidade de jogar a responsabilidade nas costas do Botafogo, a quem apontou como favorito absoluto do duelo deste domingo.

- O Fluminense ainda não mostrou as suas armas no Campeonato Brasileiro porque está focado na disputa da Copa Libertadores. Nossos rivais já se mostraram. Entro tranqüilo para este jogo mesmo sendo um clássico, pois a responsabilidade de vitória é toda do Botafogo - disse Renato Gaúcho.

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