Diário da Borborema

Campina Grande, Quarta-Feira, 27 de Agosto de 2008

Mundo


Avião sai da pista e mata 153 pessoas

O MD-82 da companhia aérea Spanair, com cerca de 175 passageiros, acidentou-se em Madri

Um avião MD-82 da companhia aérea Spanair, com cerca de 175 passageiros a bordo, saiu da pista no Terminal 4 do aeroporto de Barajas, em Madri (Espanha), ontem. A aeronave havia feito um pouso de emergência logo após a decolagem e chegou a voar novamente por alguns metros antes do acidente. O porta-voz das equipes de emergência, Herbigio Corral confirmou a morte de 153 pessoas e 22 retiradas com vida do avião.

Calcula-se que havia 164 passageiros adultos a bordo da aeronave, duas crianças e mais nove tripulantes. Sete dos passageiros eram do vôo compartilhado LH 255, da Lufthansa, sendo quatro deles alemães, diz o "El País".

Os feridos estão sendo levados a distintos hospitais de Madri e ao menos onze pessoas deram entrada no hospital de La Paz, que conta com uma unidade para queimados. Outros sete foram para o hospital Ramon e Cajal, 3 para o hospital 12 De Outubro, 2 para o La Princesa, 2 para o Arganda, 1 para o Infanta Safía e mais um para o Ninõ Jesús. Os hospitais madrilenhos estão dando alta a alguns pacientes para conseguir espaço para atender às vítimas do acidente.

O vôo JK 5022 teria saído com uma hora de atraso, possivelmente por problemas técnicos. Em nota, a Spanair diz que "lamenta confirmar que o vôo JK 5022 de Madri para Las Palmas de Gran Canarias se envolveu em um acidente em Madri às 14h45 (horário local) de ontem" e que "está fazendo o possível para assistir as autoridades espanholas nesse momento difícil. A Spanair fornecerá mais informações assim que possível".

O diretor comercial da Spanair, Sergio Allar, disse ao "El País" que não tem informações sobre o acidente e que "é responsabilidade da aviação civil fazer a investigação". A empresa diz que o avião, ex-Korea Air, passou por revisão completa em 24 de janeiro e foi usado pela primeira vez em 1993.

O sindicato de pilotos SEPLA afirmou ao jornal espanhol que o comandante e o piloto auxiliar moravam em Palma e estavam "perfeitamente qualificados e tinham muita experiência" no manejo do modelo acidentado.

Segundo a "Agência Efe", as caixas-pretas do avião foram recuperadas e serão o principal elemento da investigação sobre o acidente mais grave já ocorrido na Espanha desde 1985. Um juiz de Madri comandará de maneira imediata a investigação do acidente e ordenará um relatório sobre o conteúdo das caixas-pretas da aeronave acidentada. Fontes jurídicas informaram à agência que o magistrado foi ao aeroporto, à frente de uma comissão judicial, para averiguar de perto informações sobre o número de vítimas.

Os corpos 153 vítimas foram transferidos a um local próximo ao aeroporto, onde especialistas da polícia e legistas dão seguimento aos trabalhos de identificação.

Um funcionário do AENA (Aeroportos Espanhóis e Navegação Aérea) contou ao "El País" que o avião estava todo partido e "cheio de corpo". Segundo outras testemunhas, o motor esquerdo da aeronave pegou fogo logo após o deslize da pista e uma conseqüente colisão no final da pista do Terminal 4. De acordo com o jornal espanhol, 11 caminhões de bombeiros trabalharam para conter o fogo, que já foi extinto. Ao todo, 230 pessoas da equipe de resgate, 170 policiais municipais, 70 bombeiros e cerca de 45 ambulâncias estão no local, além de quatro hospitais de campanha, informa o "El País".

O incêndio no local gerou uma grande coluna de fumaça. O aeroporto ficou fechado para pousos e decolagens, mas já foi reaberto. Os familiares dos passageiros foram para o aeroporto, onde uma sala foi montada para oferecer ajuda psicológica. A Spanair fretou um vôo a partir de Gran Canaria para os familiares das vítimas.

Nos últimos dez anos, 42 pessoas morreram em acidentes aéreos no país. O último acidente de grande proporções aconteceu em Bilbao em 19 de fevereiro de 1985, quando morreram 148 pessoas. O pior de todos aconteceu em 27 de março de 1977 no aeroporto de Los Rodeos, em Tenerife, onde o choque de aeronaves matou 585 pessoas.

Avião tem fama de ser um dos mais seguros

Apesar do acidente com a aeronave que saiu da pista ontem matou 153 pessoas em Madrid, a família de aviões MD-80 tem fama de ser uma das mais seguras em operação nos aeroportos de todo o mundo.

Introduzidos no mercado de aviação em 1980 pela americana McDonnell Douglas, cerca de 1.200 aviões modelo MD-80 foram fabricados até 1999, quando a empresa foi anexada pela Boeing. O avião que saiu da pista no aeroporto de Barajas é um MD-82.

De acordo com o site AirDisaster, o MD-80 é o segundo colocado no ranking de segurança entre os modelos comerciais, com 18 acidentes em 20 milhões de decolagens. Considerado um avião de porte médio, o MD-80 tem duas turbinas e capacidade para 172 passageiros, dependendo da configuração dos assentos.
Da frota de 65 aviões da Spanair, 36 são do mesmo modelo da aeronave acidentada.

Todos os corpos ficam carbonizados

Uma reportagem do jornal espanhol "El Mundo" diz que o número de mortos no acidente aéreo no Aeroporto de Barajas, em Madri, é maior de que o anunciado pelo governo. Enquanto fontes oficiais confirmava a existência de 45 vítimas e de 27 feridos, o jornal dizia que existia mais de uma centena de mortos.

"É um milagre que qualquer pessoa tenha sobrevivido", disse uma testemunha do acidente ao jornal.

"Todo o lugar estava cheio de corpos carbonizados", disse um socorrista que esteve no local do acidente em entrevista ao jornal. Segundo este funcionário da equipe de resgate, apenas 23 pessoas foram tiradas com vida. "Todos os outros estão mortos", o que pode indicar que mais de 140 pessoas morreram.

O trabalho de resgate é dificultado pela alta temperatura da aeronave. Os bombeiros demoraram muito para conseguir entrar na aeronave, segundo o "El Mundo"
"O avião estava todo partido, cheio de corpos", disse um funcionário das esquipes de resgate que atua no local do acidente, em entrevista ao jornal "El País".

Segundo reportagem da rede de TV CNN na Espanha, a situação no hospital de La Paz, para onde foram levados alguns dos feridos, a situação é caótica e não há informações consolidadas sobre sua situação.

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